sexta-feira, 18 de julho de 2008

BIOGRAFIA DE GRANDES FILÓSOFOS:EPICURO(2)


III - Filosofia
Para Epicuro a filosofia é mais do que discussões teóricas, é acima de tudo um estilo de vida. Seus discípulos não iam aprender a filosofia dele, mas "aprender o próprio Epicuro". Havia uma simbiose entre teoria e prática, entre pessoa e ensino.
A finalidade da filosofia era dupla: a felicidade humana e a liberdade, do contrário não haveria o porquê de filosofar. Nunca era tarde demais para tal tarefa, afinal, crianças, jovens e velhos sempre estariam buscando a felicidade e a liberdade, portanto jamais a filosofia deveria ser deixada de lado.
Para haver felicidade era necessário o prazer, mas não qualquer prazer. A filosofia proporcionaria a maneira de selecionar os melhores prazeres. Epicuro classificava os prazeres em três gêneros: os naturais e necessários (nutrição e sono), os naturais e não necessários (o sexo), e os não naturais e não necessários(todos aqueles resultados das opiniões). Porém, havia o prazer dos prazeres, aquele que estava acima de todos os três tipos mencionados, que era a ‘ataraxia’. A ataraxia consistia num estado de harmonia e serenidade interior a despeito das adversidades e circunstâncias. Estava acima de todo e qualquer prazer porque era um prazer constante e não de movimento como os mencionados. Em outras palavras, era um prazer permanente e não temporário. A grande antítese dos prazeres era a dor. Epicuro acreditava que o caminho natural do homem era fugir da dor e buscar o prazer. Entretanto, jamais conseguiríamos ficar totalmente imunes da dor, haja vista, as tragédias que se abatem sobre os indivíduos, em decorrência de acidentes ou perdas. Neste caso, Epicuro propunha um remédio duplo: as recordações e as projeções. Isso quer dizer que num momento difícil recordar situações passadas positivas aliviariam a dor, bem como projetar para o futuro coisas positivas que ainda poderiam ser realizadas. Ainda sobre o prazer Epicuro dizia que não poderíamos ser escravizados por eles, mesmo porque felicidade e liberdade andam de mãos juntas, por isso devíamos selecionar os prazeres como que tendo domínio sobre eles.
Sobre a liberdade, Epicuro utilizava-se de alguns aspectos da filosofia física para discorrer sobre o assunto. O mundo se formou dos átomos, que eram eternos, indivisíveis, variados e infinitos. Os átomos para se movimentarem necessitavam de espaço, o vácuo, que também era infinito. À medida desses movimentos a matéria era composta, neste caso até mesmo a alma é substância material, com a diferença de ser constituída por átomos mais delicados, leves e finos. Os átomos fazendo trajetória verticais em sentido de queda se chocariam devido a um desvio próprio chamado de ‘clinamen’, e este explicaria a liberdade atômica e consequentemente a humana. Assim como os átomos são livres para se chocarem e darem origem a novas vidas, os humanos são livres para mudar suas vidas. Uma outra idéia central sobre a liberdade é a de que os homens são escravos do medo, e para serem libertos deverão vencer os dois maiores temores humanos: o medo da morte e dos deuses. O medo da morte é vencido quando se tem consciência de que tudo é átomo e vácuo, isso quer dizer que quando o homem existe a morte não existe, e quando a morte aparece o homem não mais existe, portanto não há porque temer aquilo que não existe quando existimos. Vida significa átomos harmonizados e conjugados, e morte significa átomos desarmonizados e separados. Dentro dessa concepção há a negação da imortalidade da alma, o homem não deve mais se preocupar com o que virá após a morte, deve-se preocupar com o presente, com a melhor vivência possível do hoje e não com as preocupações inquietantes do amanhã. Quanto ao medo dos deuses, não era necessário se apavorar com tal coisa, afinal das contas os deuses também eram formados por átomos, mas de uma categoria tão perfeita, que viviam numa zona além daquela que os homens habitavam. Isso quer dizer que se os deuses eram perfeitos jamais se preocupariam com os homens que são imperfeitos, porque caso contrario poderiam se manchar com a imperfeição humana. O estado de gozo dos deuses era tão perfeito que jamais pensariam no homem que não alcançou o pleno gozo. Para Epicuro os sacerdotes utilizavam-se dos mitos e do temor dos deuses para manipular e escravizar as pessoas.
Dentro do campo da teoria do conhecimento, Epicuro a divide em três momentos: a experiência, a memória e as relações. Por meio da experiência poder-se-ia chegar a verdade, o homem conhece a medida que vivencia, ou seja, o empirismo. No empirismo é fundamental a relação entre a sensação e a percepção, e é por meio desta última que posso ser enganado ou ter certeza da verdade. Por exemplo: Se olho ao longe o que parece ser um pedaço de árvore e depois ao me aproximar percebo ser um cachorro deitado, fui enganado pela minha percepção, porém também corrigido por ela. Para evitar os enganos era imprescindível observar e analisar os objetos com cuidado. Para Epicuro aqueles que dogmatizam um determinado aspecto do objeto sem analisá-lo por todos os ângulos possíveis com muito cuidado, criam o mito. Aquilo que pela sensação temos a percepção vira uma antecipação ou memória. Por exemplo: Se vejo um livro, aquilo fica registrado em mim, de tal maneira que não terei dificuldade de identificar outro objeto semelhante e reconhecê-lo como livro, já que tive a experiência do livro, e se tive a experiência tenho dali em diante a idéia de livro.A memória então é fruto da experiência, e só posso ter noção daquilo que vivencio. Porém, há coisas das quais não temos sensações e são reais, por exemplo, o átomo e seu movimento. Neste caso Epicuro ensina a chamada não-infirmação, ou seja, fazer relações. Pensando na questão do átomo relacionamos sua realidade com o corpo e o movimento, pois, assim como o corpo se movimenta, o átomo também se movimenta já que o corpo é constituído por eles, e só há movimento onde há espaço para tal. Ou seja fazemos relações de coisas que não podem ser captadas pelos sentidos e percebidas com coisas que podem dentro de um elo lógico.
Relacionado a ética a discussão de Epicuro gira em torno das duas grandes virtudes: a sabedoria e a amizade. A primeira é resultado de seguir sua filosofia (lógica, física e ética), que para os epicureus(assim eram chamados os discípulos) estava acima das concepções socráticas, platônicas e aristotélicas. O sábio era autônomo e não autômato, era lei para si próprio, de tal forma que para Epicuro as leis não existiam para que o sábio não cometesse injustiça, mas para que não fossem cometida injustiças contra ele.A segunda, a amizade, era a maneira dos homens se relacionarem entre si e desfrutarem uns dos outros. Epicuro era contra o matrimônio e a concepção de família egoísta(pai, mãe e prole), todos deveriam relacionar-se como irmãos entre si, e o amor estava acima de qualquer convenção social. Entretanto, a amizade deveria ser entre iguais, a dependência se é que deveria existir, deveria ser recíproca, para que ninguém fosse escravo de ninguém, o que deporia contra a filosofia da liberdade. Ninguém deveria ser desprezado no circulo de intimidade, todos eram dignos de respeito e apreço, até mesmo os escravos.

3 comentários:

Adriano C. Tardoque disse...

A cada dia que passa eu chego a conclusão que Epícuro foi o maior dos filósofos, por ter sido deixado de lado. Daremos nós, então assas ao seu pensamento.

vanusa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
vanusa disse...

Gosto de suas frases,tem sentidos e muita originalidade,pra mim,Epicuro é o que mais deu sentidos as coisas que queria esplicar...Mais um motivo pra eu fazer Filosofia...